10 coisas que o Missionário não lhe dirá

10 coisas que o Missionário não lhe dirá

Escrito por Joe Holman

 

Joe Holman: Eu sou um pai normal, vivo em Cochabamba, Bolívia, com a mulher de meus sonhos, minha esposa desde 1984. Somos seguidores de Jesus Cristo e nosso desejo sincero é conhecer a Deus melhor, amá-lo mais e ajudar outros a fazer o mesmo.
24 AGO 14

Sei que posso ser criticado por esse artigo, por isso faça duas afirmações logo de cara. Afirmação 1 – Amo ser missionário. Este artigo apontará alguns aspectos ruins que normalmente nós missionários não compartilhamos. Isso não significa que estou infeliz ou insatisfeito. Afirmação 2 – Estou falando de sentimentos. Assim, por exemplo, quando compartilho como me sinto em relação aos filhos, você será tentado a me enviar um versículo. Mas estou compartilhando sentimentos. Não preciso do versículo bíblico que já conheço, ok? Bom… então aqui vai o que seu missionário não lhe contará em seu relatório informativo ou na conferência de missões da sua igreja. Aqui está um pouco do lado sombrio das missões.

1. Na maior parte do tempo, viver em outra cultura é difícil. Seu missionário falará sobre a alegria das missões transculturais. O que eles não dizem é que não é divertido na maior parte do tempo. Aprendi isso em uma viagem para Gana. Fui convidado para a despedida de uma enfermeira canadense que estava voltando para sua casa depois de 40 anos de ministério. Eu lhe perguntei: Mas, depois de 40 anos, Gana não é a sua casa? Ela respondeu: não importa quanto você esteja incorporado à cultura, quão bom seja seu ministério, não importa quanto você seja aceito pelas pessoas… você não é um deles. Já estou na Bolívia há 8 anos. Sou fluente e tenho um grande ministério aqui. Mas não sou boliviano, nem compartilho sua história cultural ou laços familiares. Quando vou à casa de alguém para comemorar um aniversário, sou o estrangeiro. Quando eles riem sobre memórias familiares eu sorrio na hora certa. Um homem dos EUA nos visitou e retornando do mercado me disse: É estranho, somos as únicas pessoas brancas à vista.

2. É solitário e seus amigos e familiares dos Estados se esqueceram de você. Você nunca lerá isso em nossa carta missionária. Pelo contrário: contaremos histórias divertidas, seremos otimistas e postaremos fotos de nossa festa de Natal em família. Não postaremos vídeos de nós chorando.
Não reclamaremos dos amigos que “sumiram”. Mas o duro é que eles não sentem a nossa falta. Quando estávamos planejando ir ao campo missionário, entrevistamos 10 diferentes famílias missionárias e perguntamos: Qual é a parte mais difícil de ser um missionário? TODOS eles responderam: Solidão. Depois do primeiro ano, as pessoas esquecem totalmente de você. Até mesmo seu melhor amigo agora não continuará se comunicando com você. Decidimos lutar contra isso usando o Facebook e as mídias sociais. O que nos surpreendeu foi a rapidez com que eles “sumiram”. Sei que suas vidas são ocupadas, mas isso dói. Então veja, não nos sentimos em casa aqui, e também que as pessoas de nossa casa anterior se esqueceram de nós.

3. Somos pessoas normais. As pessoas pensam que os missionários são cristãos superiores. Se somos missionários, então até o apóstolo Paulo invejaria nossa espiritualidade. Nenhum missionário vai escrever assim na carta mensal: esta semana eu não passei quase nenhum tempo na Palavra, fiquei bravo com minha esposa, gritei com meus filhos e fiquei com ciúmes depois de ver fotos no Facebook. Mas é a verdade. Somos pessoas normais que procuram honrar a Cristo, mesmo sendo vasos fracos e frágeis. Nós pecamos, nos arrependemos, pecamos, nos arrependemos e por aí vai. Somos como você.

4. Nós nunca temos dinheiro suficiente, mas nos sentimos culpados por isso. Missionários precisam de dinheiro, mas usam frases chiques como oportunidade de apoiar ou fazer parte da bênção ou procurar parceiros mensais. Mas o que queremos dizer é: estamos morrendo aqui. Por favor, nos ajude. Precisamos de mais dinheiro. Não podemos escrever com essa honestidade. Temos que parecer que estamos acima do material, como se dinheiro fosse algo que poderíamos usar, mas que não é grande coisa. Estamos caminhando pela fé e confiando em Deus para prover. Veja, não queremos dar a impressão de que tudo o que queremos é o seu dinheiro. Não é. Mas com toda honestidade, precisamos de dinheiro, para nossa família e para nosso ministério. Também tentamos não ser críticos em relação ao dinheiro. Olha, isso aconteceu esta semana. Postei uma necessidade para o nosso ministério. Gostaríamos de comprar equipamentos odontológicos adicionais para ajudar em nosso ministério evangelístico odontológico. Precisávamos de US$ 700. Ao mesmo tempo, um amigo nos EUA, que ocasionalmente canta em cafés, postou que queria levantar US$ 4.000 para fazer um CD. Recebemos US$ 210 e ele recebeu US$ 4.300. Puxa! Não estou dizendo que ele não deveria fazer isso, mas que barbaridade! Ele conseguiu US$ 4.300 para experimentar um CD e nós não conseguimos arrecadar US$ 700 para ajudar os pobres?

5. Sentimos que nossos filhos estão sendo prejudicados por nossa escolha. Em meus boletins, você verá imagens legais de meus filhos ajudando na divulgação, lavando órfãos ou tendo um macaco no ombro. Tudo parece tão legal. Mas a verdade é que sentimos que nossos filhos estão sofrendo por causa de nossas escolhas. O sentimento ruim é ainda mais ampliado pelo Facebook. Essa semana vi fotos dos filhos de nossos amigos jogando futebol, aulas de música, debates, acampamentos, shows, filmes e aulas especiais na faculdade comunitária, enquanto cursavam o ensino médio. Meus filhos não fazem nada disso. Eu sei que posso postar todas as coisas legais que meus filhos fazem, mas simplesmente não posso competir com as opções que vocês têm. Eu me vejo lutando em meu coração com a inveja e com a cobiça.

6. Tirei ótimas férias, mas não posso contar a ninguém. Uma das coisas legais sobre mídias sociais é como podemos compartilhar nossas vidas. Pastores fazem cruzeiros, amigos viajam para uma ilha maravilhosa, a família visita a Europa. Eles podem mostrar sua alegria. Nós também podemos viver no orçamento, gastar menos do que ganhamos e economizar para tirar umas boas férias. Mas aí ouvimos a crítica: Ah, é para isso que minhas doações estão sendo usadas?
Exemplo real. Meu pai faleceu e me deixou US$ 19.000. Então, com minha herança, alugamos uma casa fora da Disneyworld e depois de passar as férias, levamos toda a família para um cruzeiro. Recebemos vários comentários sarcásticos e um doador desistiu de doar para o nosso ministério. Minha esposa e eu comemoramos nosso 30º aniversário de casamento este ano. Fizemos algo realmente divertido para comemorar, mas dissemos o seguinte para nossos filhos: Essa é uma comemoração secreta. Não diga nada e não coloque nada no Facebook. Nós não queremos que ninguém nos julgue. Quão fedorento é pode ser? Enquanto você pode compartilhar sua alegria, nós sentimos que temos que nos esconder?

7. Odiamos ser julgados por um padrão que nossos juízes não seguem. Quando nos reunimos com comitês missionários, igrejas ou doadores – eles sempre nos fazem perguntas específicas. Não tenho problema algum com isso. O que me deixa louco é quando alguém que não está fazendo o que eu estou fazendo me julga porque acha que não estou fazendo o suficiente. O melhor exemplo disso é quando o comitê de missões nos pergunta sobre o evangelismo. Só neste ano, compartilhamos o evangelho com 2.000 pessoas (história verdadeira) fora da igreja e batizamos 35 adultos. Logo depois, eles têm um monte de sugestões.
Mas veja. A igreja desse comitê de missões não batizou 35 adultos nos últimos 10 anos. Minha vontade é perguntar: Olha, isso é o que fizemos. O que vocês fizeram? Ou: Essa é uma boa ideia. Como vocês a implementaram aqui? Claro que não posso falar assim, mas é muito difícil ouvir esses técnicos de poltrona, cheios de opinião, que nunca jogaram o jogo. Outro exemplo é quando as pessoas que não ajudam os pobres nos criticam sobre como nós ajudamos os pobres. Dizem o que devemos fazer baseados no último livro que leram. Eles não fazem coisa alguma, mas sabem o que nós devemos fazer. E se não fizermos da maneira deles, cortarão o sustento. Se alguém envolvido no ministério tiver conselhos, será mais fácil de aceitar. Mas quando alguém que não faz nada quer nos ensinar, temos que cuidar de nossos corações e guardar nossos lábios.

8. Dizer adeus fede … e não é igual nos Estados Unidos. Isso acontece normalmente com missionários: nossas vidas se tornam um adeus constante. Despedimo-nos de colegas missionários, de nossos filhos, pais, etc. Temos quatro filhos que moram nos EUA enquanto servimos na Bolívia. Quando visitamos a cidade para ver a vovó e a vovó, temos que nos despedir de novo para voltar ao campo. É ruim demais.
Fui convidado para falar em uma conferência de missões nos EUA. A igreja ficava há uma hora de onde meu filho de 24 anos vivia, então ele pegou o carro e veio me ver. Depois que eu preguei, fui à minha mesa missionária no corredor e estava conversando com as pessoas, distribuindo cartões de oração, apertando as mãos, etc. Meu filho e sua namorada vieram dizer oi, e depois de alguns minutos meu filho me abraçou e disse: Te amo papai, te vejo em… o que… dois ou três anos? Comecei a chorar e as pessoas graciosamente saíram de perto. Não voltaria a vê-lo por pelo menos dois anos. Esta semana, há três dias, minha esposa levou meu filho de 19 anos para a faculdade nos EUA. Ela me ligou do quarto do hotel chorando e disse: Não está ficando mais fácil. Eu odeio isso! Eu odeio isso! Agora aqui é onde explico a segunda parte do meu ponto. Um amigo me diz, com boas intenções: Ah. Eu entendo, meu filho partiu para a faculdade esta semana também. Não é a mesma coisa!!! Seu filho pode conseguir uma passagem aérea promocional de US$ 100 e visita-lo nos intervalos escolares. Nós vivemos em outro continente. Quando me despeço do meu filho eu digo: acho que o verei daqui três anos. Meu filho Jacob nos ligou dos EUA e depois de conversarmos um pouco, eu lhe disse que ele precisava ir ao hospital porque eu achava que ele tinha apendicite. Depois, ele nos informou que iriam fazer uma cirurgia de emergência. Minha esposa levou três dias para chegar lá e não pôde estar com ele no hospital.
Meu pai foi diagnosticado com câncer terminal. Eu sabia que quando o telefone tocasse para os filhos virem se despedir, eu não chegaria a tempo: eu sentiria falta de suas últimas palavras, não poderia ministrar à minha família e não poderia estar ao funeral. Não é a mesma coisa que viver nos Estados Unidos. Não é. Eu diria que, de todos os pontos negativos para viver no campo missionário, este é o pior: dizer adeus tantas vezes.

9. Ir para os EUA é difícil. Voltar para o meu país para o período de divulgação é maravilhoso, mas nem tanto. Existem duas coisas que o seu missionário não lhe dirá. A primeira, provavelmente já conhece: é logisticamente é difícil. A maioria dos missionários não tem um lugar para morar, um carro para dirigir nem um prato para comer. Temos sempre que encontrar soluções de curto prazo com coisas emprestadas. Nós também não gostamos de viver no seu porão. Queremos nosso próprio local, com privacidade e tempo com nossa família. Sim, queremos visitar nossos sustentadores e igrejas, mas fazer isso é muito difícil quando temos doadores em 12 estados diferentes. Desculpe dizer isso, mas não é possível gastar US$ 1.200 para visitar uma igreja do outro lado do país que nos oferta US$ 25 por mês. Você poder achar que deveríamos fazer isso, mas o custo o torna proibitivo.
A segunda coisa que você provavelmente não sabe é que é emocionalmente difícil. Por quê? Porque descobrimos que nós mudamos internamente e que você não quer mais conviver conosco. Permita-me ilustrar. Um homem do povo Azul tornou-se um missionário para o povo Amarelo. Ele se sentia um estranho porque era um azul entre os amarelos. No entanto, depois de começar a se entrosar com cultura, percebeu um dia que agora era verde. Então, depois de alguns anos, ele retornou para visitar seu povo Azul. Para seu espanto, ninguém em sua terra natal queria gastar tempo com ele, porque agora ele era verde. Depois de estar no campo missionário, você se torna uma pessoa diferente e as pessoas percebem você de modo diferente. Os amigos cresceram sem você, tiveram experiências diferentes e você não é mais um deles. Quando você retorna, as pessoas querem apertar sua mão, dizer que sentiram sua falta, mas não querem conviver com você. Eles também estão preocupados que você vai lhes pedir dinheiro. Certa vez convidamos um grande amigo para jantar fora e ele respondeu: Lamento, não tenho dinheiro para lhes dar. Ele realmente respondeu isso!!! Você acredita? Certa vez eu estava na igreja onde eu havia sido pastor. Sentindo excluído, compartilhei meus sentimentos com um membro da equipe da igreja. Ele explicou: As pessoas o evitam porque você intimida as pessoas. Não pelo que você diz ou pelo que você faz, mas por quem você é. Nós olhamos para você e para a sua escolha de se tornar um missionário e nos sentimos culpados por sermos materialistas. É mais fácil evitá-lo do que arrepender-se de nosso amor ao dinheiro. Não sei se essa é a razão, mas os missionários se sentem indesejados. Podemos pensar que você gosta de nós e estamos realmente agradecidos pelo seu apoio financeiro, mas no fundo sentimos que você não quer ser nosso amigo.

10. Eu constantemente sinto que tenho que me provar para você. Você, seja um indivíduo ou uma igreja, nos dá dinheiro. Você apoia nosso ministério. Goste ou não, agora sinto que tenho que provar para você que foi um bom investimento. Meus boletins informativos não são para que você saiba o que estou fazendo, mas são itens que provam que você investiu bem. E… se passarmos um período em que realmente não temos nada a relatar, sentimo-nos um fracasso e vivemos com medo de você dar seu dinheiro para outra pessoa. Muitas vezes sentimos como se não estivéssemos no mesmo time. Sentimos que você é nosso chefe e que chegou a hora da avaliação anual de desempenho e parece que alguém precisa ser dispensado esse ano. Somos tentados a melhorar nosso currículo: • Em vez de dizer que vamos à igreja, dizemos: estamos ativamente engajados em uma congregação local.
• Não dizemos que compramos nossas frutas na mesma venda todas as semanas, mas dizemos que estamos ativamente construindo relacionamentos intencionais com aqueles no mercado. • Lideramos um estudo bíblico, mas chamamos isso de engajar-se em um relacionamento de mentoria para jovens casais. Então, dizemos coisas que nos fazem soar melhores, mais santos e mais ocupados do que somos. Não podemos dizer simplesmente que estamos vivendo em outra cultura, fazendo o máximo para promover a Cristo, que é realmente muito difícil e não temos muitos resultados para mostrar neste ano. Precisamos de sustento, mas você está julgando nosso valor. Sua avaliação determinará se receberemos o que precisamos.

Bom… essas dez coisas que o seu missionário não lhe dirá podem não ser a verdade objetiva, mas é como nós nos sentimos. Sentimos que temos que provar constantemente que doar para o nosso ministério é um ótimo investimento e que você deve continuar. Isso produz muito estresse emocional em nossas vidas. Essas dez afirmações podem não ser bonitas, mas talvez ao ler esse artigo, você será ajudado a se relacionar melhor com o seu missionário.

 

Fonte: https://joe-holman.blogspot.com/2014/08/ten-things-that-your-missionary-will.html?m=1

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2 Comentários

  1. Marilda Suzano

    Puxa! Fiquei sem palavras ante esse artigo! Muito triste! Como somos ignorantes quanto à vida dos missionários! Deus tenha misericórdia que nós, os que ignoramos ou nos omitimos, e nos permita mudar nossos pensamentos e atitudes.

    Responder

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